Agronegócio brasileiro apresenta proposta sustentável para a COP 30
Saiba quais são as propostas do agronegócio brasileiro para a COP 30. Documento liderado por Roberto Rodrigues destaca a agricultura tropical como modelo sustentável para alimentar o mundo e combater as mudanças climáticas.
10/29/20253 min read
Agricultura tropical como modelo global
O agronegócio brasileiro chega à COP 30, que será realizada em Belém (PA), com uma mensagem clara: a agricultura tropical é parte da solução climática global.
O documento “Agricultura Tropical Sustentável: Cultivando Soluções para Alimentos, Energia e Clima”, apresentado em Brasília pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, reúne as principais propostas do setor para o evento.
Elaborado com apoio de pesquisadores, entidades do agronegócio e cooperativismo, o texto propõe a criação do Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical e defende um “mutirão internacional de implementação climática” baseado em três pilares:
Ciência,
Inovação, e
Inclusão produtiva.
Brasil: potência em alimentos, energia e clima
Segundo o documento, os países do cinturão tropical concentram 40% das terras aráveis e mais de 50% da água doce do planeta, colocando a região no centro da segurança alimentar e energética mundial.
O Brasil é um exemplo desse potencial. Em 50 anos, a produção de grãos aumentou quase sete vezes, com um salto de 229% na produtividade. Hoje, o agronegócio representa:
23,2% do PIB nacional
26% dos empregos gerados
49% das exportações brasileiras
Além disso, 49% da matriz energética do país é renovável — índice que cairia para cerca de 20% sem a contribuição do campo.
“O que nos trouxe até aqui foi ciência e tecnologia”, afirmou Rodrigues. “A agricultura tropical permite segurança alimentar, geração de renda, energia renovável e resiliência climática — os pilares da paz tropical.”
Propostas do setor para a COP 30
Entre as principais propostas do agronegócio brasileiro apresentadas para a COP 30 estão:
Um plano global de inovação e bioeconomia;
A integração da agricultura aos mecanismos de financiamento climático pós-2025;
O apoio a florestas produtivas e sistemas agroflorestais;
A ampliação de instrumentos como pagamento por serviços ambientais (PSA) e mercado de carbono.
Essas medidas visam fortalecer a agricultura de baixo carbono e incentivar a preservação com geração de renda.
Financiamento e comércio: os grandes desafios
Roberto Rodrigues destacou que o financiamento climático e o protecionismo comercial são os principais entraves para ampliar as ações sustentáveis nos países tropicais.
“Sem financiamento adequado, as ações não avançam. Além disso, precisamos de regras comerciais mais flexíveis, sem barreiras protecionistas que prejudiquem os países em desenvolvimento”, afirmou.
O papel do Brasil e da FPA na agenda climática
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (REP-PR), elogiou o documento e reforçou a importância do Brasil na liderança global pela sustentabilidade.
“O texto reflete o que o agro precisa dizer e o mundo precisa ouvir. O Brasil é exemplo de sustentabilidade e inovação”, declarou Lupion.
Ele também ressaltou o compromisso do setor contra o desmatamento ilegal, defendendo que o país lidere a criação de parâmetros globais de preservação.
Investimentos e compromissos internacionais
O embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima e Energia do Itamaraty, destacou duas frentes importantes:
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – iniciativa anunciada na COP 28, em Dubai, para proteger florestas tropicais em todo o mundo;
A meta do governo brasileiro de quadruplicar a produção global de combustíveis sustentáveis até 2035.
“O Brasil fez o dever de casa e tem muito a mostrar ao mundo”, afirmou o embaixador.
Conclusão: o agro como parte da solução climática
O agronegócio brasileiro quer se posicionar na COP 30 como protagonista das soluções para os desafios climáticos.
Com ciência, inovação e práticas sustentáveis, o país demonstra que é possível produzir mais, preservar o meio ambiente e gerar desenvolvimento social.
O modelo tropical brasileiro pode ser a base de uma nova agricultura global, capaz de garantir alimentos, energia e equilíbrio climático para o futuro do planeta.
