Embrapa destaca dados e tecnologias para restauração florestal em debate sobre o Código Florestal
“Embrapa apresenta tecnologias e dados sobre restauração florestal em debate no Senado. Saiba como o Código Florestal e o CAR fortalecem o agro sustentável no Brasil.”
10/24/20253 min read
Doze anos após a criação do Novo Código Florestal, o Brasil avança na consolidação da legislação ambiental que busca equilibrar produção agrícola e preservação ambiental. Em audiência pública promovida no Senado Federal, representantes da Embrapa, governo, produtores rurais e ONGs discutiram os desafios e oportunidades para aperfeiçoar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA).
Código Florestal completa 12 anos: avanços e desafios
Instituído em 2012, o Novo Código Florestal tornou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) obrigatório para todos os imóveis rurais do país.
Por meio dele, os proprietários registram áreas de vegetação nativa, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e Áreas de Uso Restrito no sistema nacional (SICAR).
Durante o debate, Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial (Campinas-SP), classificou o banco de dados do CAR como “um dos maiores esforços colaborativos da história”, com quase 7 milhões de imóveis rurais ativos.
Segundo Spadotti, a análise dessas informações — combinadas com dados do Censo Agropecuário 2017 — mostra que 33,2% do território nacional é destinado à preservação da vegetação nativa dentro das propriedades rurais brasileiras.
Além disso, 93% dos cadastros são de pequenos imóveis, com até quatro módulos fiscais.
🛰️ Geotecnologia a favor da preservação
A Embrapa Territorial utiliza técnicas de geoprocessamento e análise de dados para mapear e monitorar as áreas de vegetação nativa em imóveis rurais.
Essas ferramentas permitem identificar ativos e passivos ambientais, auxiliando os estados na análise dos registros do CAR.
Quando um imóvel apresenta passivo ambiental, o proprietário pode aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) — que orienta a recomposição das áreas degradadas — ou comprar Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), vinculadas a imóveis com excedente de vegetação.
🌱 Tecnologia e inovação para restauração florestal
Além da análise de dados, a Embrapa também investe em soluções tecnológicas para a restauração da vegetação nativa.
Segundo o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), o foco é oferecer orientação prática e científica aos produtores rurais, indicando espécies adequadas e estratégias de plantio eficientes.
“Dizer a um agricultor que ele precisa restaurar uma área sem indicar como fazer é o mesmo que dizer que ele está doente e não oferecer tratamento”, afirmou Ribeiro.
Hoje, cerca de 120 pesquisadores da Embrapa integram uma rede nacional dedicada à restauração ambiental.
O grupo trabalha para incluir espécies de valor econômico nas APPs e Reservas Legais, conciliando sustentabilidade e produtividade — além de buscar reconhecimento financeiro pelos serviços ambientais prestados pelos produtores.
🤝 Colaboração entre governo, setor produtivo e ciência
O debate foi promovido pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), a pedido do deputado Nilto Tatto (PT-SP).
Participaram também senadores e deputados federais de diferentes partidos, além de representantes de instituições de pesquisa, cooperativas e ONGs ambientais, como:
Observatório do Clima,
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),
Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam),
Organização Diálogo Florestal, entre outros.
A discussão reforçou a importância de parcerias entre o setor público e privado para garantir a efetiva implementação do Código Florestal e o avanço das políticas de sustentabilidade no campo.
🌾 Restauração e sustentabilidade: o futuro do agro brasileiro
A combinação entre tecnologia, ciência e gestão ambiental vem transformando o agro brasileiro em um modelo de produção sustentável.
A atuação da Embrapa e de outras instituições mostra que é possível produzir e preservar, contribuindo para reduzir o desmatamento, cumprir compromissos climáticos e valorizar o produtor rural que faz a sua parte.
