Mercado do Agro no Segundo Semestre de 2026: Soja, Milho, Café, Carnes e Fertilizantes em Alerta

Soja, milho, café, carnes e fertilizantes entram em alerta no segundo semestre de 2026. Confira preços, clima, safra e riscos para o produtor.

7/28/20266 min read

O agronegócio brasileiro inicia o segundo semestre de 2026 diante de um cenário marcado por produção elevada de grãos, oscilações nos preços das commodities, incertezas climáticas e custos de produção ainda desafiadores.

Soja, milho, café, carnes e fertilizantes estão no centro das atenções. Para o produtor rural, o momento exige cautela na comercialização, planejamento da safra 2026/27 e controle rigoroso dos custos.

Safra brasileira pode alcançar 360,1 milhões de toneladas

A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, segundo o décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O volume representa crescimento de 2,2% em relação à temporada anterior, com acréscimo aproximado de 7,8 milhões de toneladas.

A área cultivada deve chegar a 83,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está projetada em 4.311 quilos por hectare. Os números confirmam a força produtiva do país, mas uma colheita maior também pode elevar a disponibilidade interna e aumentar a pressão sobre os preços em determinados períodos. Conab

Soja encontra apoio na demanda e nos prêmios de exportação

O mercado da soja iniciou a última semana de julho com preços internos sustentados pela demanda, especialmente nos portos.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a procura internacional pelo grão brasileiro elevou os prêmios de exportação. A disputa entre compradores externos e indústrias nacionais também favoreceu as cotações no mercado interno.

A demanda global por farelo é outro fator importante. O aumento da procura pelo derivado movimentou as negociações no Brasil e nos Estados Unidos, fortalecendo os preços FOB e a competição pela matéria-prima. Cepea

Apesar da sustentação recente, o produtor deve acompanhar:

  • comportamento do dólar;

  • ritmo das exportações brasileiras;

  • demanda chinesa;

  • condições das lavouras norte-americanas;

  • custos de transporte;

  • preços dos fertilizantes;

  • evolução climática para a safra 2026/27.

A comercialização parcelada pode reduzir a exposição a oscilações bruscas. Entretanto, cada propriedade deve considerar seus custos, necessidade de caixa, capacidade de armazenagem e compromissos financeiros.

Milho reage com retração dos vendedores

O milho também apresentou reação no mercado brasileiro no final de julho. De acordo com o Cepea, a retração dos vendedores reduziu a disponibilidade imediata e favoreceu a recuperação das cotações em algumas regiões.

O movimento ocorre durante o avanço da colheita da segunda safra, período em que normalmente há maior entrada do cereal no mercado.

A demanda das indústrias de ração, das granjas e das usinas de etanol de milho continua sendo um componente importante. As exportações também podem contribuir para retirar parte da oferta do mercado interno.

Por outro lado, estoques elevados e uma produção expressiva podem limitar altas mais consistentes. O produtor precisa observar a diferença entre o preço disponível, os contratos futuros e o custo de armazenagem antes de decidir reter o cereal.

Café enfrenta os efeitos do clima e da redução dos embarques

No café, o andamento da colheita e a qualidade dos grãos continuam influenciando o mercado.

Chuvas em regiões produtoras já provocaram interrupções pontuais na colheita ao longo da temporada. A umidade durante essa etapa pode afetar a secagem, o armazenamento e a qualidade do produto, principalmente quando não há estrutura adequada na propriedade.

Dados analisados pelo Cepea mostram que as exportações brasileiras de café diminuíram na temporada 2025/26 em comparação com a anterior. Mesmo assim, a receita obtida com os embarques permaneceu relativamente estável, indicando compensação parcial por preços mais elevados. Cepea

Os principais pontos de atenção para os cafeicultores são:

  • ritmo da colheita;

  • qualidade e classificação dos grãos;

  • previsão de chuvas;

  • estoques internacionais;

  • câmbio;

  • demanda dos países importadores.

Lotes de melhor qualidade podem conquistar valorização adicional, tornando fundamentais os cuidados com colheita seletiva, secagem e armazenamento.

Mercado de carnes depende da oferta e das exportações

Na pecuária de corte, os preços do boi gordo apresentam diferenças menores entre diversas regiões produtoras.

Conforme o Cepea, as cotações da arroba em São Paulo e em outros estados vêm se aproximando. O movimento está relacionado à disponibilidade de animais terminados, às condições das pastagens, às escalas dos frigoríficos, ao consumo interno e às exportações de carne bovina. Cepea

Durante o período seco, produtores que possuem animais terminados e boa disponibilidade de alimento podem encontrar oportunidades de comercialização. Contudo, o custo da suplementação precisa entrar no cálculo.

Na avicultura e na suinocultura, milho e farelo de soja permanecem entre os componentes mais importantes dos custos. A valorização desses insumos pode reduzir as margens das granjas, mesmo quando os preços dos animais apresentam alguma recuperação.

Fertilizantes continuam no centro das decisões

Os fertilizantes são uma das principais preocupações para o planejamento da safra 2026/27.

O Brasil responde por aproximadamente 8% do consumo mundial de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores globais. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% do consumo nacional, conforme informações do Ministério da Agricultura. Ministério da Agricultura

Como o país ainda depende fortemente de fornecedores externos, os preços podem ser influenciados por:

  • variações do dólar;

  • conflitos geopolíticos;

  • custos do gás natural;

  • sanções comerciais;

  • fretes marítimos;

  • oferta internacional de ureia, fosfato e potássio.

A recomendação é comparar preços, negociar antecipadamente quando houver condições favoráveis e calcular o custo do fertilizante por hectare — não somente por tonelada.

A análise de solo e a orientação agronômica ajudam a evitar aplicações excessivas ou insuficientes. O objetivo deve ser utilizar os nutrientes com maior eficiência, preservando a produtividade e a rentabilidade.

El Niño pode influenciar a próxima safra

O clima será um dos fatores decisivos no segundo semestre.

O Instituto Nacional de Meteorologia acompanha o aumento da probabilidade de formação do El Niño. Caso seja confirmado, o fenômeno poderá alterar os padrões de chuva e temperatura no final do inverno e durante a primavera.

A previsão para o trimestre de julho a setembro de 2026 indica possibilidade de chuvas acima da média em áreas do Sul e volumes abaixo da média no centro-norte do Brasil. Também existe alta probabilidade de temperaturas superiores à média em parte do país. INMET

Entre os possíveis impactos estão:

  • atraso na regularização das chuvas no Centro-Oeste;

  • redução da umidade do solo em áreas do Norte e Nordeste;

  • excesso de precipitação na Região Sul;

  • aumento do risco de erosão;

  • maior ocorrência de ondas de calor;

  • ampliação do risco de incêndios florestais;

  • dificuldades para definir a melhor janela de semeadura.

Essas projeções podem mudar. Por isso, o produtor deve acompanhar os boletins meteorológicos atualizados e evitar decisões baseadas apenas em previsões de longo prazo.

Plantas de cobertura ajudam no planejamento da safra

Em um cenário de fertilizantes caros e riscos climáticos elevados, o manejo adequado do solo ganha importância.

As plantas de cobertura podem contribuir para:

  • proteger o solo contra erosão;

  • melhorar a infiltração da água;

  • reduzir a perda de umidade;

  • reciclar nutrientes;

  • aumentar a matéria orgânica;

  • ajudar no controle de plantas daninhas;

  • favorecer a atividade biológica do solo;

  • diminuir a amplitude térmica na superfície.

Espécies como braquiárias, milheto, crotalárias, aveia, nabo forrageiro e ervilhaca podem integrar diferentes sistemas de produção. A escolha deve considerar clima, tipo de solo, cultura comercial seguinte e objetivo agronômico.

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O que o produtor deve fazer agora?

O segundo semestre de 2026 exige planejamento, acompanhamento de mercado e decisões baseadas nos custos reais da propriedade.

Algumas medidas podem reduzir riscos:

  1. Atualizar o custo de produção por hectare.

  2. Acompanhar os preços dos insumos antes das compras.

  3. Evitar concentrar toda a comercialização em um único momento.

  4. Revisar as condições de armazenagem.

  5. Realizar análise de solo.

  6. Planejar as plantas de cobertura.

  7. Monitorar previsões climáticas oficiais.

  8. Avaliar seguro rural e outras ferramentas de proteção.

  9. Controlar o fluxo de caixa.

  10. Consultar assistência técnica antes de alterar o manejo.

Perspectivas para o agro no segundo semestre de 2026

O Brasil caminha para uma produção elevada de grãos, mas volume recorde não significa necessariamente maior rentabilidade.

A renda do produtor dependerá da relação entre produtividade, preços de venda, câmbio, fertilizantes, logística e clima. Soja e milho encontram apoio na demanda, enquanto café e carnes seguem influenciados pela oferta e pelo comércio internacional.

Com planejamento, solo bem manejado e comercialização estratégica, será possível atravessar as oscilações do segundo semestre com maior segurança.

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