Preço do leite cai 19% em um ano no Brasil: produtor sente pressão nos custos

Preço do leite registra queda de 19% em 12 meses, segundo Cepea/Esalq/USP. Excesso de oferta pressiona margens e deve manter mercado em baixa até o fim do ano.

10/30/20252 min read

O mercado de leite no Brasil segue em trajetória de queda. De acordo com dados do Cepea/Esalq/USP, o preço médio do leite cru pago ao produtor recuou 4,2% em setembro, chegando a R$ 2,44/litro. Em termos reais, isso representa uma queda de 19% na comparação com setembro do ano anterior.

Esse é o sexto mês consecutivo de desvalorização, reflexo de um ambiente de forte oferta e margens de lucro apertadas para os produtores.

Oferta de leite cresce com clima favorável e investimentos

A produção nacional vem aumentando ao longo de 2025, após um período de margens mais favoráveis em 2024, que incentivou investimentos na atividade. Além disso, a chegada da primavera melhora a qualidade das pastagens, elevando naturalmente a produção.

  • ICAP-L (Índice de Captação de Leite) subiu 5,8% de agosto para setembro

  • No acumulado do ano, o aumento é de 12,2%

Ou seja: há muito leite disponível no mercado.

Importações reforçam o excesso de oferta

Além do aumento da produção interna, o Brasil importou 20% mais lácteos em setembro, o equivalente a 198 milhões de litros, principalmente na forma de leite em pó.

Mesmo com crescimento de 11% nas exportações, o mercado doméstico segue amplamente abastecido, o que limita qualquer recuperação de preços no curto prazo.

Indústrias pressionadas e margens comprimidas

Com tanta oferta, os estoques aumentam e os preços recuam nos principais derivados:

ProdutoQueda em setembro (SP)Leite UHT-2,87%Muçarela-2,08%Leite em pó-1,66%

As indústrias enfrentam custos fixos elevados e baixa rentabilidade, repassando a pressão ao produtor, que vê a receita cair enquanto os custos não caem na mesma proporção.

Poder de compra do produtor piora

Mesmo com leve queda de insumos, o produtor sente o peso da relação de troca com o milho:

  • Foram necessários 26,5 litros de leite para comprar 60 kg de milho em setembro

  • Alta de 5,4% frente a agosto

Resultado: margens cada vez mais apertadas e menor capacidade de investimento.

Perspectivas: estabilização só no fim do ano — recuperação apenas em 2026

A tendência para os próximos meses é de continuidade da pressão de baixa.
Só em dezembro pode haver estabilização, quando indústrias começam a planejar a demanda de início de ano.

Uma recuperação mais consistente é esperada somente a partir do segundo bimestre de 2026, quando a produção no Sul cai e o mercado pode encontrar um novo equilíbrio.

Em resumo
  • A oferta segue alta e deve continuar pressionando preços.

  • Produtores enfrentam margens reduzidas.

  • Indústrias absorvem pouco aumento de custo.

  • Recuperação real pode demorar.

Para o investidor do agronegócio, o momento é de atenção à eficiência, gestão de custos e planejamento financeiro.