Subsolagem e Solo: Como Diferentes Implementos Impactam a Resistência do Solo e o Rendimento da Soja
Estudo avalia como diferentes tipos de subsoladores influenciam a resistência do solo à penetração e o rendimento da soja em sistema de plantio direto. Veja os resultados e o que muda na produtividade.
11/25/20252 min read
Por que avaliar a subsolagem no cultivo da soja?
A integração lavoura-pecuária (ILP) tem ganhado espaço no Brasil por unir produção de grãos e pastejo na mesma área, promovendo rotação de culturas, ciclagem de nutrientes e menor pressão sobre novas áreas agrícolas. No entanto, o pisoteio animal e o tráfego de máquinas podem alterar os atributos físicos do solo, gerando compactação – um dos maiores desafios para o desenvolvimento radicular da soja.
Quando o solo oferece maior resistência à penetração, as raízes exploram menos profundidade, reduzindo absorção de água e nutrientes. Isso aumenta o risco de prejuízos em períodos de estiagem.
Diante disso, o estudo buscou responder a uma pergunta central: diferentes tipos de subsoladores realmente reduzem a resistência do solo e melhoram o rendimento da soja?
O que é resistência à penetração e por que ela importa?
A resistência à penetração do solo é medida com o uso de um penetrômetro, que avalia o esforço necessário para atravessar o solo.
Valores elevados indicam compactação, que pode resultar em:
Menor desenvolvimento das raízes
Redução da infiltração e retenção de água
Dificuldade na absorção de nutrientes
Queda na produtividade
Assim, avaliar esse parâmetro ajuda a entender se a subsolagem cumpre seu papel de descompactar o solo em profundidade.
Como o estudo foi conduzido
O experimento ocorreu no Oeste de Santa Catarina (Cunha Porã), em área manejada há mais de 14 anos em sistema ILP. A pesquisa foi realizada durante a safra 2019/2020.
Tratamentos avaliados:
Foram comparados cinco sistemas de manejo:
Disco – sem revolvimento do solo
Sulcador – sem revolvimento, abertura apenas de sulco
Subsolagem Convencional
Subsolador TERRUS® (GTS) – 5 hastes
Subsolador FOX® (Stara) – 9 hastes
Todos foram conduzidos em plantio direto e avaliados quanto à:
Resistência do solo à penetração (0–40 cm)
Rendimento da soja (kg/ha e sacas/ha)
Resultados: subsolagem diminui a resistência do solo, mas não aumenta a produtividade
1. Rendimento da soja
A análise estatística mostrou diferença entre os tratamentos, mas os subsoladores não aumentaram o rendimento da soja.
ImplementoRendimento (kg/ha)Sacas/haDisco4958,082,62Convencional4751,7579,20Terrus®4595,5076,57Fox®4501,7575,02Sulcador4314,2571,92
✔ O disco apresentou a maior produtividade.
✔ O sulcador teve o menor rendimento.
✔ Subsoladores não proporcionaram aumento de produtividade, corroborando estudos anteriores.
2. Resistência do solo à penetração
Houve diferença significativa entre implementos e profundidades.
Principais conclusões:
Os subsoladores reduziram a resistência do solo apenas nas camadas superficiais (0–20 cm).
Abaixo de 30 cm, nenhum implemento conseguiu reduzir a compactação.
A resistência aumentou gradualmente conforme a profundidade.
Esse resultado reforça que a subsolagem nem sempre atua na camada onde a compactação é mais crítica para o enraizamento da soja.
O que isso significa para o produtor?
✔ A subsolagem pode melhorar a estrutura superficial do solo, mas nem sempre resulta em maior produtividade.
✔ O manejo deve ser criterioso: subsolar sem necessidade pode gerar custo extra sem retorno econômico.
✔ A soja respondeu melhor ao manejo com disco, que não promove revolvimento do solo.
Produtores devem considerar:
Histórico de compactação
Diagnóstico com penetrômetro
Umidade adequada para operações
Custo x benefício da subsolagem
Conclusão
Os subsoladores reduziram a resistência à penetração nas camadas superficiais, mas não promoveram descompactação profunda.
Não houve aumento significativo no rendimento da soja com o uso de subsoladores.
O tratamento com disco apresentou melhor desempenho produtivo.
Esses resultados reforçam a importância de diagnósticos precisos antes de investir em subsolagem, garantindo eficiência operacional e retorno econômico ao produtor.
