Suplementação mineral de bovinos de corte na transição da seca para as aguas.
Veja como planejar a suplementação mineral do gado de crte na transição da seca para as águas e preservar o desempenho do rebanho no Cerrado. Isso fara a difernça no gadesempenh dos animais nessa transição.
7/26/20266 min read


A suplementação mineral de bovinos de corte ganha importância estratégica durante a transição da seca para o período das águas no Cerrado brasileiro. Nessa fase, as primeiras chuvas estimulam a rebrota das pastagens, mas a recuperação da quantidade e da qualidade da forragem não acontece imediatamente.
Em julho, grande parte do Cerrado ainda atravessa o período seco. Entretanto, este é o momento adequado para avaliar os pastos, organizar os lotes e planejar a mudança da suplementação que será realizada com a chegada regular das chuvas, geralmente entre setembro e novembro, dependendo da região.
A troca precipitada do suplemento utilizado na seca por um sal mineral destinado às águas pode causar queda no desempenho. Por outro lado, manter uma suplementação incompatível com a nova condição da pastagem também aumenta custos e pode prejudicar o consumo.
Por que a transição seca–águas é um período delicado?
Durante a seca, as pastagens tropicais apresentam redução no crescimento, menor proporção de folhas e queda na concentração de proteína. Mesmo quando existe bastante capim seco disponível, seu aproveitamento pelos bovinos pode ser limitado pela baixa qualidade nutricional.
Com as primeiras chuvas, começam a surgir brotos verdes, mais ricos em água e nutrientes. Entretanto, ainda pode haver pouca matéria seca disponível para sustentar o consumo diário do rebanho.
O pecuarista deve considerar que:
as primeiras chuvas podem ser irregulares;
a pastagem não se recupera de forma imediata;
os bovinos podem selecionar apenas as folhas novas;
a disponibilidade de matéria seca pode continuar baixa;
cada categoria animal possui uma exigência nutricional diferente.
Por isso, a decisão não deve ser tomada somente pela aparência verde do pasto. É necessário avaliar a quantidade de forragem, a presença de folhas, a condição corporal dos animais e os objetivos produtivos da propriedade.
Qual é a função da suplementação mineral?
Os minerais participam da formação óssea, da atividade muscular, do metabolismo, da imunidade, da reprodução e do crescimento dos animais. Entre os elementos mais importantes estão fósforo, cálcio, sódio, enxofre, magnésio, cobre, zinco, manganês, cobalto, iodo e selênio.
Segundo a Embrapa, suplementar significa fornecer os nutrientes minerais necessários para corrigir deficiências ou desequilíbrios existentes na dieta dos bovinos. A necessidade exata, porém, varia conforme o solo, a pastagem, a categoria animal e o sistema de produção. Consulte a publicação técnica da Embrapa sobre suplementação mineral.
No Cerrado, o fósforo costuma receber atenção especial devido à ocorrência de solos naturalmente pobres nesse nutriente. Isso não significa, contudo, que todas as propriedades devam usar a mesma concentração no suplemento.
A formulação deve considerar análises, histórico da fazenda e orientação de um zootecnista, médico-veterinário ou engenheiro-agrônomo especializado em nutrição animal.
Suplementação mineral, proteinada ou proteico-energética?
A escolha depende principalmente da qualidade e da disponibilidade do pasto.
Mistura mineral
É indicada quando a pastagem fornece proteína e energia em quantidade suficiente, mas apresenta deficiências minerais. Costuma ser a alternativa básica para bovinos mantidos em bons pastos durante as águas.
O produto deve ser formulado para a categoria animal e fornecido conforme o consumo recomendado pelo fabricante ou pelo responsável técnico.
Sal mineral com ureia
Pode ser utilizado na seca ou na fase final desse período, quando existe boa disponibilidade de capim seco, mas falta proteína para melhorar o aproveitamento da forragem.
A ureia exige cuidados rigorosos. Os animais precisam passar por adaptação e nunca devem recebê-la quando estiverem em jejum, excessivamente debilitados ou sem volumoso disponível. O manejo inadequado pode causar intoxicação grave e morte. A Embrapa destaca que a adaptação dos bovinos ao consumo de ureia é indispensável. Veja as orientações técnicas.
Sal proteinado
Combina minerais com fontes de proteína e, em determinadas formulações, energia. Pode ajudar a reduzir perdas de peso na seca ou favorecer ganhos moderados quando ainda existe massa de forragem disponível.
Na transição, o sal proteinado pode funcionar como uma ponte até que a pastagem apresente quantidade suficiente de folhas verdes. A troca, no entanto, deve ser feita com base na resposta do pasto e no consumo dos animais.
Suplemento proteico-energético
É empregado quando a meta produtiva é mais elevada ou quando o pasto não consegue atender sozinho às necessidades de proteína e energia. Pode ser usado em recria intensiva, terminação a pasto e sistemas que buscam maior ganho de peso.
Como possui custo mais alto, precisa ser acompanhado por pesagens, controle de consumo e análise do retorno econômico.
O verde do pasto pode enganar
Um dos erros mais frequentes é retirar o suplemento da seca logo após a primeira chuva. A área pode adquirir coloração verde rapidamente, mas ainda apresentar baixa disponibilidade de matéria seca.
Os brotos novos possuem muita água. Dessa forma, o animal precisa consumir grande volume de forragem fresca para alcançar a quantidade necessária de nutrientes.
Antes de mudar o programa nutricional, o produtor deve observar:
altura e densidade do pasto;
proporção de folhas verdes;
quantidade de material seco;
presença de áreas superpastejadas;
condição corporal do rebanho;
regularidade das chuvas;
consumo registrado no cocho.
Se as chuvas interromperem após a primeira rebrota, a oferta de folhas pode voltar a cair. A suplementação precisa acompanhar essa variação.
Manejo correto dos cochos reduz desperdícios
Além da escolha do produto, o manejo do cocho influencia diretamente o resultado da suplementação mineral.
Os cochos devem ficar em locais de fácil acesso, próximos das áreas frequentadas pelo rebanho e, preferencialmente, protegidos da chuva. A cobertura evita empedramento, dissolução dos ingredientes e desperdício.
Também é importante:
disponibilizar espaço suficiente para reduzir a competição;
manter o cocho limpo e seco;
evitar interrupções no abastecimento;
acompanhar o consumo por lote;
garantir água limpa em quantidade adequada;
armazenar os suplementos protegidos da umidade;
separar categorias com exigências nutricionais diferentes.
O consumo pode variar por causa do teor de sal, da qualidade da água, da localização do cocho, da composição da pastagem e da adaptação dos animais. Por isso, o valor indicado no rótulo deve ser comparado com o consumo realmente observado.
A conta básica é:
Consumo diário por animal = quantidade oferecida no período ÷ número de animais ÷ número de dias
O registro semanal ajuda a identificar consumo excessivo, rejeição do produto ou dificuldade de acesso ao cocho.
A suplementação não substitui o pasto
Nenhum suplemento de baixo consumo corrige a falta de forragem. Para funcionar, o programa nutricional precisa estar associado ao manejo da pastagem.
A Embrapa ressalta que suplementos utilizados na seca dependem da existência de massa de capim disponível, ainda que o material tenha qualidade inferior. Confira as recomendações para bovinos em pastejo.
Entre as medidas importantes para a transição estão:
ajustar a taxa de lotação;
reservar áreas para o fim da seca;
controlar o superpastejo;
planejar a entrada dos animais nos pastos em recuperação;
realizar correção e adubação do solo quando recomendadas;
manter reserva de volumoso para eventuais atrasos das chuvas.
Colocar muitos animais sobre a primeira rebrota pode comprometer a recuperação da pastagem e reduzir a produção de forragem durante as águas.
Estratégia deve mudar conforme a categoria animal
Vacas prenhes ou em lactação, bezerros, animais em recria e bovinos em terminação possuem exigências diferentes.
Vacas próximas ao parto precisam de atenção especial à condição corporal. Animais jovens demandam nutrientes para crescimento, enquanto lotes em terminação exigem uma estratégia compatível com a meta de ganho de peso e a data prevista de comercialização.
Separar o rebanho em lotes mais uniformes permite oferecer o suplemento adequado sem elevar desnecessariamente o custo para todos os animais.
Como saber se a suplementação está dando resultado?
O controle não deve ficar restrito à quantidade colocada no cocho. O produtor precisa relacionar o custo da estratégia com o desempenho obtido.
Os principais indicadores são:
consumo por cabeça por dia;
ganho médio diário;
evolução da condição corporal;
custo do suplemento por animal;
custo por quilo adicional produzido;
mortalidade e ocorrência de problemas sanitários;
taxa de prenhez, quando aplicável;
idade ou tempo necessário para abate.
As estimativas técnicas de ganho são referências, não garantias. O resultado depende da pastagem, da genética, da sanidade, do clima, da qualidade da água e do manejo.
Planejamento antecipado protege o desempenho do rebanho
A transição da seca para as águas no Cerrado não deve ser tratada como uma mudança automática de calendário. O melhor momento para alterar a suplementação é definido pela recuperação efetiva do pasto e pela necessidade dos animais.
Em 2026, produtores podem aproveitar os meses secos para revisar cochos, calcular estoques, avaliar a condição corporal do rebanho e definir previamente as opções nutricionais para o início das chuvas.
A combinação de pastagem bem manejada, suplementação adequada, água de qualidade e acompanhamento técnico ajuda a atravessar a transição com menos oscilações de peso e maior eficiência econômica.
Este conteúdo tem finalidade informativa. A formulação e o uso de suplementos, especialmente produtos com ureia, devem ser definidos com assistência técnica e conforme as orientações do fabricante.
