Sustentabilidade e lucro caminham juntos: o potencial das pastagens nativas no Sul do Brasil

Estudos mostram que o uso sustentável de pastagens nativas no Sul do Brasil aumenta a produtividade e garante lucro aos pecuaristas. Entenda como.

10/26/20253 min read

A pecuária de corte no Sul do Brasil tem uma base histórica ligada às pastagens nativas do Bioma Pampa, que se estende pelo Rio Grande do Sul, parte da Argentina e do Uruguai.
Durante muito tempo, essas áreas foram vistas como de baixa produtividade, mas pesquisas recentes da Embrapa Pecuária Sul e da UFRGS mostram um cenário bem diferente: o manejo sustentável das pastagens nativas pode gerar lucro, conservar o solo e preservar a biodiversidade.

Esses estudos reforçam que é possível produzir carne de qualidade, aumentar a eficiência produtiva e reduzir custos, tudo isso mantendo o equilíbrio ambiental — um ponto cada vez mais valorizado no agronegócio moderno.

O valor das pastagens nativas: um patrimônio produtivo

As pastagens nativas do Pampa são formadas por uma grande diversidade de espécies de gramíneas e leguminosas adaptadas ao clima e solo da região.
Segundo a Embrapa Pecuária Sul, mais de 400 espécies forrageiras compõem esses campos naturais, garantindo alimentação de qualidade para o gado durante todo o ano, com baixo custo de manutenção.

Além disso, essas áreas prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como:

  • Conservação do solo e da água;

  • Preservação da biodiversidade nativa;

  • 🌍 Captura e armazenamento de carbono, contribuindo para mitigar as mudanças climáticas.

Estudos brasileiros comprovam ganhos econômicos

Pesquisas realizadas pela Embrapa e UFSM em propriedades gaúchas e catarinenses mostram que sistemas baseados em pastagens nativas bem manejadas podem atingir ganhos de peso médio de 0,6 a 0,9 kg/dia por animal, sem uso intensivo de insumos.

Em comparação com sistemas de pastagem cultivada, os custos de produção chegam a ser 30% menores, devido à menor dependência de adubação química e de suplementação concentrada.

Esses resultados demonstram que a pecuária extensiva sustentável pode ser altamente lucrativa, especialmente quando associada a práticas como:

  • Rotação de pastagens;

  • Ajuste da lotação animal conforme a estação;

  • Recuperação de áreas degradadas com espécies nativas;

  • Integração entre pecuária e conservação ambiental.

Lucro e sustentabilidade: uma combinação possível

Os dados da Embrapa Pecuária Sul (2024) mostram que pecuaristas que adotam o manejo rotativo das pastagens nativas têm aumento de até 40% na lotação animal por hectare, além de melhor desempenho por cabeça e maior rentabilidade anual.

A carne produzida nesse sistema também vem ganhando valor agregado, sendo reconhecida por programas de certificação sustentável, como o “Carne Carbono Neutro” e o “Carne Sustentável do Pampa”.
Esses selos abrem portas para mercados premium e exportações de alto valor, valorizando o trabalho dos pecuaristas que preservam o bioma.

Pastagens nativas: aliadas contra as mudanças climáticas

Outro destaque dos estudos brasileiros é o papel das pastagens nativas na redução da emissão de gases de efeito estufa.
Por possuírem raízes profundas e alto teor de matéria orgânica no solo, esses campos atuam como reservatórios naturais de carbono, ajudando o Brasil a cumprir metas de sustentabilidade e neutralidade climática.

De acordo com a UFRGS, o manejo sustentável dessas áreas pode aumentar em até 20% o sequestro de carbono no solo, contribuindo para uma pecuária mais limpa e eficiente.

Conclusão: o futuro da pecuária passa pelo manejo inteligente do campo nativo

O que antes era visto como “campo natural improdutivo” hoje se consolida como um ativo estratégico da pecuária moderna.
Os estudos deixam claro: as pastagens nativas do Sul do Brasil são produtivas, lucrativas e sustentáveis — desde que manejadas com conhecimento técnico e visão de longo prazo.

O pecuarista que investe em gestão, rotação e conservação dessas áreas não apenas aumenta seu lucro, mas também fortalece a imagem do agronegócio brasileiro como referência global em sustentabilidade e eficiência produtiva.