Tarifaço pressiona exportações, e setor do café aposta na abertura de novos mercados na SIC 2025

Mesmo com tarifas e queda nas exportações, o café brasileiro reforça sua presença global na Semana Internacional do Café, com rodadas de negócios e foco em sustentabilidade.

11/6/20252 min read

coffee bean lot
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Setor do café mira novos mercados na Semana Internacional do Café

A Semana Internacional do Café (SIC), realizada em Belo Horizonte, mostra a força do café brasileiro mesmo diante de desafios como o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos e a queda recente nas vendas globais.
O evento cresceu 50% em espaço e mais de 30% em número de expositores, reunindo representantes de toda a cadeia produtiva.

“A feira reflete um mercado mais unido, organizado e com visão de longo prazo”, destaca Caio Alonso Fontes, CEO da Espresso&Co, empresa organizadora.

Cadeia produtiva mais organizada

Fontes avalia que o setor está mais coeso do que nos últimos anos, com cooperativas, indústrias e entidades alinhadas em torno de uma mesma mensagem:

  • Sustentabilidade

  • Rastreabilidade

  • Qualidade do café brasileiro

Essa união fortalece a imagem do Brasil como líder global e ajuda na construção de uma comunicação mais clara para o mercado internacional.

Tarifaço nos EUA: impacto e reação do Brasil

Um dos temas centrais da feira foi o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos.
A medida encareceu o café no mercado americano e pressionou tanto os exportadores quanto a indústria dos EUA, reacendendo o debate sobre:

  • Origem do café

  • Custos de produção

  • Relação comercial entre os países

Com isso, as exportações brasileiras devem cair cerca de 20% em 2025, ficando entre 40 e 41 milhões de toneladas, segundo o Cecafé.

Mesmo assim, o setor vem se adaptando ao novo cenário, buscando novos compradores e rotas comerciais.

Rodadas internacionais e novos mercados

Para acelerar essa diversificação, a SIC montou pela primeira vez uma sala exclusiva para rodadas de negócios.
Ali, produtores brasileiros se encontraram diretamente com compradores de 40 países — negociando café na hora.

O modelo segue padrões do Sebrae, com:

  • Pré-cadastro de produtores

  • Seleção de importadores com perfil compatível

  • Visitas prévias a regiões produtoras

“Quando o comprador conhece o produtor e vê o que está por trás da xícara, a relação muda”, diz Fontes.

Sustentabilidade e novos polos em destaque

A feira também reforçou a imagem do Brasil como produtor sustentável, com destaque para:

  • Agricultura responsável

  • Uso de tecnologia

  • Renda valorizada para o cafeicultor

Estados emergentes como Acre e Rondônia ganharam espaço e chamaram atenção de compradores internacionais pelo avanço na produção de robusta com qualidade.

Conclusão

Com negócios sendo fechados, novas parcerias formadas e uma mensagem mais forte sobre sustentabilidade e qualidade, a SIC se consolida como um ponto estratégico para o café brasileiro no mercado global.